domingo, 15 de julho de 2007

... Quatro Patacas

Quatro homens caminham pela rua em atitude suspeita, observam uma moça vestida de vermelho do outro lado da rua. Um guarda anda lentamente, prestes a passar por eles.

A moça observa os quatro com desdém, um por um, se vira e volta a olhar a vitrine. Já o guarda, quando percebe as quatro figuras nefastas, ruma em passos rápidos até eles, com um olhar de desgosto, o que faz com que todos eles pensem, mais ou menos ao mesmo tempo, que esse dia não é definitivamente o dia deles.

"Sabemos que não valemos nada" todos eles pensaram de um jeito coletivo "mas também não precisam desconfiar de tudo; nós queremos ver, não usurpar; sentir, não devorar; irritar, não chatear". E todos puseram logo as mãos para cima, enquanto a moça se enchia de docinho e o guarda resolveu que aquele era dia dele.

O guarda olhou para a moça, durante tempo suficiente pra que uma das oito mãos se abaixasse e coçasse, lentamente, a perna do corpo a que pertencia. O guarda olhou para a perna. A perna batia no chão, como querendo ir embora. E queria.

- Seu guarda, acha que ficaremos aqui a noite toda? Sabe como é, né? Tem muita coisa por aí afora que eu ainda preciso ver. Ficar olhando pra cara da lei não é o melhor passatempo pra um noite chata.

O guarda franziu a sobrancelha, sentiu-se irritado com a ousadia do rapaz. Ordenou que abaixassem as mãos e tirassem dos bolsos os seus documentos. Avisou a Central que estava identificando quatro elementos e talvez precisasse de ajuda para checar os dados. O guarda quase podia sorrir, seu dia estava tedioso antes disso.

Dos quatro, cada um esboçava uma reação diferente, um deles estava quase explodindo, outro, o que havia falado, tentava passar um "migué" no guarda, o terceiro se mostrava preocupado e o quarto mantinha um tom irritante de superioridade. O guarda parecia não perceber, entretido que estava com sua própria felicidade.

O guarda passou a conferir os documentos, e os quatro passaram a conferir a moça, que continuava ali, sentindo-se com certo nojo ao mesmo tempo em que aproveitava aquela cobiça toda que pairava sobre o seu vestido - e especialmente, o que estava dentro dele. Enquanto ela nem sabia mais o que via nas vitrines, o guarda devolveu os documentos, na mesma ordem em que os retirara, olhou em todos os rostos e, como se tivesse acordado para aquilo, disse: "vocês não valem nada mesmo."

- Precisava ver nossos documentos para descobrir?

A moça os olhou, enquanto falavam. Não pareciam valer muita coisa, mesmo. Talvez quatro patacas, mas certamente não mais que isso.

E, numa coreografia quase ensaiada, saíram os quatro pela rua, em direção ao fim da noite.

As Patacas


5 comentários:

disse...

Vou ser bem honesta: não li nada do texto pq minha ressaca não me permite, mas as caras de vcs estão ótimas!

Confio no taco do Lê, mas continuo afirmando que ele vale noventa e nove centavos de real. Arrematei?

Ouié =D

Bjos, meninos! Keep writing!

A.C. disse...

Vou Linkar!! (assim q tomar coragem para mexer no meu blog)
blz?
zo/
eee tá td mto bem feito no blog, parabéns!

Ana Elisa disse...

Ahhhhhhhhhh muleeeeeeeque!
;x


Amei o texto :D
amei a idéia..

E vocês não tão valendo mais nada mesmo é? nem meio piruá? ahhhhhhh vale sim poxa. eu boto fé ;)


huahuahuauhahua
adoro vocês



beijooooooooooooos
;*******************~

Edson Rossatto - Andross Editora disse...

Olá, Thiago, tudo bem?

Li o sua crônica “Quatro patacas”, no blog de mesmo nome.
Nós da Andross Editora estamos selecionando crônicas para compor uma antologia ainda sem nome, a ser lançada em outubro de 2007. É do seu interesse participar com o seu texto? Antes de responder, peço que leia o REGULAMENTO da antologia e a seção de PERGUNTAS FREQÜENTES no website da Andross Editora. Se concordar com todos os termos, envie seu texto para o e-mail edson@andross.com.br com os seguintes dados para a confecção do contrato: nome completo, nome para publicação, CPF, RG, telefone e endereço residencial, data e local de nascimento.

Para sanarmos quaisquer tipos de dúvidas, sugiro que conversemos via MSN. Se não o tem instalado, peço que o faça. Para tanto, basta acessar o website http://messenger.msn.com.br/download/ e baixar o programa. Por favor, entre em contato até 31/07/2007, pois temos prazos a cumprir.

Parabéns pela seleção!

Andross Editora
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SKYPE: Andross Editora

Vitor disse...

Isso aconteceu mesmo, pessoal? Fiquei com essa dúvida boba, tipo assim, "os caras levaram uma dura dos ômi e resolveram criar um blog", hehehe.

Parabéns!