segunda-feira, 23 de julho de 2007

Vamos Começar

Vamos Começar. Um principio. Vamos lá. Qual o tom? Qual? O que contar?

Como escrever um poema

A poesia é etérea, diferente da concretude do poema... o poema inexiste no mundo real, ele é fruto do mundo platônico, o das idéias. O primeiro passo é adentrar esse mundo, o melhor possível, para depois extrair dele a cópia imperfeita que nos servirá de obra. Logo depois de colocá-la no papel, convém ter a certeza da mediocridade do que se escreve, da temporalidade inefável a que a obra está sujeita, a temporalidade certeira que limou tantos outros antes de nós mesmos que estamos fadados a sermos limados também. Outro importante passo é saber sofrer a angústia que se sofre quando se sabe menor, e saber usar, sem dó, essa angústia para benefício da obra. Não negar influências, jamais, porque negar é a maior e mais patética confissão da influência sofrida. Podar os vícios, mas não todos, alguns deles é que dão o sabor à obra, assim como os clichês, que tristes, mas necessários, ou felizes se bem usados. Saber que a forma e o conteúdo se equiparam e o poema pode tender tanto para um, quanto para outro, sem prejuízo para o todo. Saber que afinal o todo é que se sobressai, ainda que as vezes alguns fiquem famosos por pequenos lampejos. Saber perder.


Como viver a vida bem

...


Como fazer frente à própria vida

Sendo sempre canalha o suficiente para saber-se canalha, mas não o suficiente para que o saibam canalha.


Como escrever bons textos

...


Como sair-se bem

Aprenda dissuasão e principalmente retórica.


Como ser você mesmo

Não deixar-se levar por influências de personalidade (difícil), ser verdadeiro consigo mesmo (impossível). Ser apenas um rapaz latino americano sem dinheiro no banco (fácil apesar da citação descabida)...


Como não enveredar seus textos pelo malfadado caminho da auto-ajuda

Ahn? que tristeza isso. Nem tinha percebido...


Como controlar a oralidade exagerada nos textos

Depois de 1922? No Brasil? Impossível.


Como escrever um poema

Vamos lá de novo:
Pegue um lápis. Pegue uma idéia. Discorra. Jogue fora. Tente se matar. Não tenha mais idéia nenhuma. Exagere e passe do ponto. É inevitável.

Pegue tudo que é inevitável, e coloque no papel:
- aquela mulher que te destruiu a vida;
- a estranha nostalgia da infância;
- seus poemas ruins de outrora que havia escondido no fundo do fundo de alguma gaveta;
- aquele velho amigo que se perdeu no tempo;

Acho que com isso já dá um belo poema, triste e passível de louvor por outros miseráveis por aí. E sem elementos de morte. E sem citações a outros poetas. Mas não sem dor, a dor de escrever, e de se revisitar e de se reencontrar com velhos esqueletos no armário e de re-sofrer o que já havia lacerado da primeira vez.


É acho que dá um bom começo!




3 comentários:

Dani disse...

Sobre escrever um poema: prefiro q meus amigos escrevam e eu cuide dos dentes dele!!!! hauahauahuah Bjos

Vinício dos Santos disse...

belas definições hein, muito boas

Thiago Augusto Corrêa disse...

Bom começo?

É foda pra caralho esse!

"Sendo sempre canalha o suficiente para saber-se canalha, mas não o suficiente para que o saibam canalha."