quarta-feira, 22 de agosto de 2007

passo a passos

Eu poderia ser um deus. Um dia, talvez, eu tenha sido um. Hoje não. Hoje caminho, apenas, liberto de qualquer forma de atenção da humanidade. Minha missão, agora, é renascer.

As ruas parecem mais frias e escuras do que eram na minha última vida. Talvez sejam esses prédios enormes, essas gentes apressadas, esses gritos sufocados. Talvez seja humanidade demais.

Um pé na frente do outro, passo a passo, cruzo montanhas e limbos de asfalto. Esbarro, aqui, em uma senhora – antiga – que sorri e olha o céu, lembrando de outros tempos. Mais à frente encontro meninos, e eles me vêem. Aceno, e eles respondem: “Venha! Jogue conosco. Há muito queremos correr ao lado de anjos”. Não vou, e logo que me afasto os meninos se esquecem do que viram. De que me viram. Há uma sensação que permanece, eterna, e quando adultos esses meninos serão belos e sonhadores.

Uma mão a desferir um golpe. Um homem prestes a bater em sua irmã. Meus passos passam, e o golpe pára. Caído, chorando, o homem pensa. A mulher se vai, oposta a meu caminho.

Meu caminho que vai e se prolonga pela noite toda de todas as cidades. Com a idade do planeta, ostento suas marcas, suas mágoas, seus saberes. Com o dom da humanidade, o esquecimento. Esqueço, pois, de todo o sofrimento, miséria e alegrias.

E renasço.

3 comentários:

eliana disse...

com a idade do planeta, ostento suas marcas...Lindo!

Ergos disse...

Mais erudito, mas adequado ao tema. Se me permite, execucao nota 8.

sidney disse...

O que é? idade planeta humanidade céu terra se o que é importante é o ser!