quarta-feira, 8 de agosto de 2007

Um Diálogo

Fale.

Algum tempo atrás eu estava muito bem, como todo mundo que vemos por aí. Sério cara, juro. Mas como sempre, decaí para um estágio mais cruel, como todo mundo que vemos aí. A vida é uma bosta, cara.

Continue, me diga os motivos.

Sei lá os motivos, tem que ter motivos, droga? É assim mesmo, sempre foi.

Não me venha com essa historinha, “assim mesmo” uma pinóia. Fala logo!

Tá, tá....tudo começou com uma garota, sabe? É sempre assim não é? Foi uma grande decepção.

Sempre é assim.

Não é? Que bom que você me entende, cara.

Continua, droga.

Tá...tinha essa garota, a Márcia. Bom, ela era linda e tal, e claro que me apaixonei.

Que droga.

Você quer que eu desenvolva? Então não atrapalha.

Certo...achei que queria apoio.

Me apaixonei. Foi lindo, por um tempo, mas sabe, eu não sou disso. Comecei a ficar incomodado com a situação, veja bem, eu era “o cara”, comandava a multidão...

Droga, seja mais claro, merda...que você acha que dá pra entender com “comandava a situação”? Você esta me zombando?

Não, claro que não!

Porque, afinal, eu estou aqui pra te ajudar, lembra disso?

Desculpa cara, não surta. Eu quero dizer que eu era meio que o chefe dessa garotada aí. Eles me seguiam, tinham um puta respeito por mim.

Meio que o chefe? Era ou não era?

Era. Mas não espalha, ou minha situação se complica de vez.

Oras, Estou aqui exatamente pra evitar que isso aconteça.

É, eu sei. Meu irmão te contratou.

Cobrou um favor é a melhor definição.

Sim, sim...bom a verdade é que eu não gostava nem um pouco de como as coisas estavam indo. Veja, ela era maravilhosa, eu a amava, mas não era pra mim, ela era muito boazinha, sabe?

Sei, e isso definitivamente te desagradava.

Era como ir contra a natureza. Ela não tinha nascido pra essa vida.

E porque simplesmente não a mandou embora?

Eu já te disse, eu amava ela. Daí tentei encontrar uma solução. Unir minha vida e a dela.

E obviamente não deu certo.

É, não deu. Eu tentei, juro. Mas ela realmente não entendia a importância desse respeito, para mim, eu gostava muito de ser...

“O cara”?

É. Você tá me zombando, não tá?

É estou sim. Mas levando em consideração que você está aí preso e que eu, estou solto e que sou a única esperança sua...bem, acho que posso, não posso?

É, pensando assim.

Afinal, quando resolveu matá-la?

Quando ela resolveu ir embora. Eu amava ela, e ela tava me deixando, que mais eu podia fazer?

É, o que mais? Afinal, alguém sempre sai perdendo, não é?

É, é sim.Você acha que eu tenho alguma chance?

Tem sim, comigo você tem. Eu sou muito bom.

É, eu sei... meu irmão sempre contrata os melhores.

Acho que é só. Com isso já dá. E nosso tempo acabou.

É, acho que sim.



3 comentários:

Dani disse...

Alem de vc, Arthur, agora tenho o Leandro pra lembrar q desse seu blogger... Ah, Leandro, eu ja escrevi sim aqui!!!! Ja li alguns, mas so escreve em apenas em um!!! Do Arthur. Nao sei qual, mas depois o Vini comentou o meu comentario...

Sobre o texto, gostei. Vc sabe q prefiro seus textos q seus poemas, os dois sao bons, mas prefiro...

bjos

Anônimo disse...

Belo texto, representa bem um típico diálogo mesmo.

Muitas vezes só queremos desabafar mas a outra pessoa pensa que opinando estará ajudando, sendo que ajudaria mais só ouvir...

Eu coloquei o Link de vocês no meu, espero que não se importe...

Beijinhos

Anônimo disse...

Valeu alguns risos...
Bjo
Eli