sábado, 1 de setembro de 2007

Como Surgiu O Epitáfio No Chão

Surgiu um ponto, preto como de costume. O ponto cingiu o cemitério (surgido antes, claro), e em uma pequena e discreta explosão fez-se uma lápide. Uma data: 11/01. Sem epitáfio.

Um dia a lápide do ponto, disse alguém, haverá de ganhar seu corpo e seu epitáfio, e todo dia onze de janeiro a lápide esperava. O corpo não vinha nunca, nunca.

Dois homens, um dia, andavam ao lado, na estrada. Na verdade circundavam a terra dos mortos. Dois homens. Estavam armados? Depende do que se denomina por armas.

Andaram tanto e penetraram o cemitério. Mórbidos. Andaram até o túmulo da lápide sem epitáfio. Sentiram dentro de si um pequeno big-bang. O túmulo sentiu o abalo, sentiu mesmo, juro. Tudo se desfez, e logo após se refez, igual, não, quase igual, não se sabe bem o porquê (ou eu não sei, o que convenhamos dá na mesma), mas o túmulo estava aberto.

O "western" começou, principiou o sangue. Um dos homens caiu morto no túmulo, o outro pegou uma pá (sempre esteve lá, claro!) e cobriu-o, totalmente, trabalho de gênio. Desfaleceu, em cima do túmulo, sem vida, encostado na lápide. E fez-se a escuridão, ali, bem ali.

Tudo surgido lá sumiu, tudo, até a lembrança. Porém, desenhado no chão ficou o epitáfio nunca antes cravado na lápide:

"Aqui Jaz Alberto Feliciano,
Membro ativo da comunidade,
E lembrado para sempre pela sua família.
Tombou em noite escura,
Sumiu, se dissolveu,
Porém aqui JAZ, mesmo assim."

O outro homem ficou sem memória.





2 comentários:

Daniela disse...

O aniversario da minha mae eh dia 11 de janeiro!!!

Elana Bellini disse...

Parabéns, Thu, muito bom.
(tirando a coincidência infeliz do aniversário da mãe da Dani)
e o seu livro tá guardadinho aqui comigo.
beijoo querido :*