sábado, 15 de setembro de 2007

in tensões

Larissa era a certeza de um sossego, e lar, amor – ou, ao menos, aquele carinho manso e confortável que por vezes nos confunde. Era importante, agora, nessa altura de uma vida, saber que Larissa existia, e estendia os braços ao meu retorno. Olhando pra trás – que no momento é entorno, ainda, pois não saí – e vendo que à frente havia ela, o mínimo de segurança era possível.

Entretanto ouvi Marisa. E vi, na verdade, quando menos esperava ver – embora, secretamente, ansiasse pelo seu corpo e sua alma desde tempos ancestrais. Marisa chegou como chegam ondas de fúria e sal. E, se houve arrebatamento tal, foi porque me permiti.

Ou ainda que não tenha permitido, conscientemente – o que é mais provável -, minha ânsia por sair, navegar e ver mais terras me empurrava lentamente aos braços dela. Larissa sabia disso, sabia da ânsia e de Marisa. Sabia da sorte que esperava minha sina mais à frente, caso a deixasse pra trás. Mas, ainda que tenha demorado, Larissa começou a compreender.

Não que apoiasse fortemente, nem que desejasse minha troca – pois se tratava, aqui, de uma troca, ainda que não fosse eterna -, mas Larissa era sensata, quando sensível. E sensibilizou.

O arrebatamento, o ardor, a ânsia e o furor por Marisa eram intensos, evidentes. Gritantes, eu diria. Igual a isso, só Maria causara, antes. Larissa entendia. Larissa conhecera Maria. Larissa me salvou quando Maria se foi ao sul.

E, agora, era Marisa quem me levava. Ao norte.

4 comentários:

lalarosset disse...

Gostei hein... Bem construído. Admiro coisas desse tipo. Triste fim da Larissa, mas tudo bem, a vida não é mesmo diferente disso.

Beijos

Arthur Malaspina disse...

Ué,sem comentários fake dessa vez?

iris disse...

serenidade
e rumo ao norte! ;)

Thiago Augusto Corrêa disse...

E aqui estreiou a mesa, não?