quarta-feira, 5 de setembro de 2007

Na Lei, acreditamos!

- Alô?

Sabem, se existe uma coisa universal no código da humanidade, impossível de ser negada, é que telefonemas na madrugada só significam algo ruim.

- Preso? Como assim, Vini? Eles ainda não disseram o motivo? Não podem te prender só porquem dizem que tem motivos suficientes e vão verificar. Me diz onde você está que eu, Arthur e Leandro vamos aí.

Eram quatro da manhã quando o delegado Cunha nos expulsava da delegacia, não tinhamos motivos para estar lá, ele alegou. O Arthur tentou contra-argumentar, mas sua retórica não funcionou suficientemente bem quando o delegado colocou a mão no revólver perguntando se ele sabia com quem estava falando.

Tentamos falar com um subalterno qualquer, mas tivemos a mesma resposta. Avisei o Leandro que ele parecia do tipo incorruptível, não adiantaria suborno. Alías, quem aceitaria propina de três pessoas que tinham exatos 7 reais e quarenta e cinco centavos, três cartões eletrônicos de ônibus com 13, 30 e 2 passes respectivamente, um ingresso usado do show do Jorge Mautner, um chiclé de menta e um clipe de papel? Porém, em sua nobre benevolência, o guarda nos deu alguns minutos para conversarmos com nosso amigo preso.

De acordo com o que ele nos disse, quando saiu da festa perto de sua casa, foi abordado por uma viatura que pediu seus documentos, apenas para verificação. E em seguida, sem explicação nenhuma, pediu para ele os acompanhar na parte de trás do carro até a delegacia, alegando problemas com os documentos. O Vini deduziu que não era apenas um convite amigável.

Ligar para sua família era impossível, primeiro pela vergonha de saber que seu filho - estudante dedicado e trabalhador honesto (porem não fanático) - estava preso, causaria um choque na família Moreira dos Santos. Além do que seus pais estavam de mudança, e o telefone ainda não fora instalado na nova casa. O único jeito era esperar, esperamos.

Passei na delegacia no dia seguinte e me deram a mesma resposta. O Vini estava respondendo um inquérito policial longo, parecia estar encrencado, comecei a suspeitar que não conhecia meu amigo da forma que ele era verdadeiramente. De acordo com a lei, ele tinha direito a um advogado, mas como não podíamos pagar um, o único advogado do estado disponível na cidade estava de férias com um brotinho em Aruba. Voltaria em uma semana, ou menos.

Tentamos entrar em contato, mas por causa da ligação internacional, o máximo que consegui falar com o advogado fora "Olá, por favor, preciso de sua aju" e em seguida minha operadora acusou falta de crédito em meu celular.

Fizemos o possível, mas com as mãos atadas, e com bem menos dinheiro que na noite anterior, já que o Arthur quis pagar um café para uma linda e estranha mulher que nos abordou na rua perguntando se não podíamos pagar um café para ela, resolvemos aguardar mais um pouco. Porém, não tinhamos notícias, diziam-nos que ele estava ainda preso, pois o documento de liberação não tinha chegado, não podíamos nem tentar um contato com ele. Já que, quando perguntávamos sobre isso, o delegado realizava o velho ritual da mão na arma, você sabe com quem está falando na voz.

Colocar um comunicado nas Patacas seria de extremo mal gosto. Se já somos feios, com cara de marginais, e o Leandro parece, as vezes, como um mendigo por andar sempre de chinelinho, como ficaríamos se soubessem que um de nossos amigos fora preso? Estávamos preocupados, mas não podiamos fazer mais nada. Ninguém nos dava atenção, era como se o Vini não estivesse preso, como se não existisse mais.

Porém, assim como foi, voltou. E o mais engraçado é que o tal código da humanidade que eu disse antes foi quebrado, mesmo não sendo um telefonema. Quase duas semanas depois, às duas horas da manhã alguem tocou a campainha de casa freneticamente, e fui atender irritado. Era o Vini, mais magro que antes, dizendo que estava solto. Chamei o Arthur e liguei imediatamente para o Leandro, o Vini disse que só contaria o que aconteceu quando estivéssemos todos juntos.

Meia hora depois, tomando café, ele começou a relatar sua história.

- Bom, gente, tudo começou quando me confudiram com o "Mesa de Bar", um traficante perigoso que fugiu de Bangu há uma semana em uma rebelião...


5 de Setembro de 2007.



1 comentários:

Daniela disse...

Huauahauahauaha!!!

... depois da campanha Volta Vinicio ele ainda nao voltou???