terça-feira, 11 de setembro de 2007

Onde eu estive

Numa noite de sexta-feira, depois de ter trabalhado mais ou menos o mesmo que Hércules naquela semana, eu deitei na minha cama e olhei para cima, para ter a minha conversa cotidiana com Deus. Naquele dia, o assunto era bem simples: porque raios a minha vida tava tão dura enquanto todo mundo levava a vida fácil?

Deus, na sua complacência, me explicou tudo mais uma vez, que eu precisava enxergar as coisas por um outro prisma e que a carnalidade era só transitória perante a imortalidade da alma e a transcendência do espírito, mas eu estava com o saco bem cheio e disse que queria mesmo era coçar o já citado como faziam meus companheiros de blog, que naquela hora estavam dormindo e sonhando com o que eles não iam fazer na manhã seguinte.

Aí o Todo-Poderoso me contou que tinha assistido Quero ser John Malkovich naquela tarde e afirmou que estava interessado em testar aquela máxima do “se eu fosse você” para tentar me ajudar a ver a vida de um jeito diferente: no fim, ele me deu o direito de ser o Leandro, o Arthur e o Thiago por uns tempos – e foi nestes tempos em que eu sumi, já que eu estava dentro – metaforicamente, claro – deles.

O primeiro cara cuja vida eu pude experimentar foi a do Leandro: calcei o seu par velho de chinelos que eram absolutamente confortáveis e fui para o faculdade ao meio-dia, sem que eu soubesse porque não estava lá as oito da manhã. Durante o dia, tive vontades quase ensandecidas de não tomar banho e pegar em armas – um reflexo claro das escolhas acadêmicas dele – mas eu pude me controlar. No fim da noite eu escrevi o texto dele para o blog – uma coisa metafísica de poeta dionisíaco, que eu sinceramente não tenho idéia de como se faça mas fiz – e escrevi os cinco comentários fakes que ele sempre colocava no final de cada um. Dormi feliz e deixei o cara em paz.

Segui imediatamente para a casa de Arthur e Thiago através da imaterialidade e encarnei no segundo, que estava sentado na frente do computador. Aproveitando que era o Thiago, disparei umas cinco frases de efeito bem formadas para maltratar os outros contra a parede mesmo, para não perder a viagem. Assisti a uma porção de episódios de House e vi que o seriado fica ainda melhor quando a gente é cínico. Ainda naquela noite eu consegui ver um filme difícil e entende-lo, além de denunciar um profile no orkut de uma moça que mostrava os seios – o que, no final, eu achei que não deveria ter feito, já que depois iria parecer uma grande incoerência. Levei o Thiago para cama – sempre, sempre nas metáforas – e resolvi que iria acordar no Arthur.

Mas não acordei. Por algum motivo dormir sendo ele era bem mais agradável do que qualquer outro, e daí eu perdi cinco dias consecutivos de aula. No sexto era um sábado e daí já não adiantava nada acordar cedo, então eu apenas pude entender o que era o Arthur uma semana depois. Fui para a faculdade, me forcei a sair da aula a cada quinze minutos para beber café e descobri que o Arthur sabe falar latim, mas não faz isso porque, francamente, isso não vai catar ninguém. Assim como tinha feito com o Thiago, aproveitei para dizer as melhores barbaridades que eu pudesse, já que vindo do Arthur a gente sempre achou aquilo engraçadíssimo. No final do dia eu chupei uma laranja e, como o cara tem os lábios bem grandes, preciso dizer que aquela foi uma das maiores experiências eróticas da minha vida.

Então Deus me perguntou no final da experiência: “e você vai continuar a dizer que a vida deles é fácil? Ao que eu respondi “opa, ainda mais agora que eu tenho provas!”. Ele riu e sacudiu os ombros, como quem sente que escolheu o exemplo errado. “E quer saber o que mais?” eu voltei a falar “eu quero ser igual a eles”. Pronto, eu estou de volta.



3 comentários:

Arthur Malaspina disse...

Esperiência erótica é o cacete...

FINALMENTE VOLTOU!!!

iris disse...

simplesmente ÓTIMO!!!
uahUHAUhuahuHAUHuhauHA

Thiago Augusto Corrêa disse...

UAhuAhuAHuHAU

Eu ri por demais!! Muito Bom.

E SIM, ELE ESTA DE VOLTA!!!