quinta-feira, 13 de setembro de 2007

Verdade Seja Dita

Um espinho me cortou hoje de manhã a caminho da padaria. Faz sol em Araraquara, estou trajando roupas curtas e um boné.

Atravesso uma rua e mal vejo o carro que vem em minha direção, me espanto. Penso o que seria de mim se me acabasse, ao lado daquele cemitério, em prontidão para meu último aconchego.

Caminho diversas ruas, observo como é o mundo que me cerca e como reajo a ele. Há tanto o que olhar que machuca.

Em um banco de praça fecho os olhos, sinto minha respiração. Gosto do som agudo do ar ao passar pelas narinas, faz me sentir vivo. De olhos fechados toco meu peito, sinto-o inflar pelo ar dos pulmões e procuro onde estão escondidas minhas dores.

Somos moléculas de água em uma sequência difícil de ser copiada, um suspiro a mais, um tic tac, e perdemos. Não sei se foi o calor do dia, o sorvete que tomei logo depois, mas de olhos fechados eu vi o mundo se fechar só para mim. Tudo ficou leve, insustentavelmente leve.

Em dias assim sinto como se fosse morrer amanhã, como se tudo fizesse sentido, com tudo em seu lugar, a mesa posta esperando ninguém. Como uma missão agora concluída.

A orquestra toca afinada, e ouço todos os instrumentos com atenção. Nessa imagem tão perfeita, meus olhos não acreditam, acho que vou morrer ainda hoje. Não sinto falta de nada, sem peças perdidas, nem detalhes desapercebidos.

E agora ao fim do feliz crepúsculo para a noite triste, ou a morte me espera ou vida continua. Só sei que por um segundo algo vi, sem poder discernir o que era, ou descrever meus sentidos.

13 de Setembro de 2007.


1 comentários:

eliana disse...

as vezes, tenho a mesma sensação, e se não estivesse aqui amanhã? adorei!