domingo, 7 de outubro de 2007

Um Preâmbulo, por Gregório Ferreira

Perdão, leitores, pela surpresa dessas palavras. Recebi uma ligação de Thiago agora mesmo, alegando impossibilidades para produzir um texto e, como amigo de longa data, leitor de sua composição desde os primórdios e também filósofo, fui incumbido de escrever algumas linhas para preencher o espaço em branco.

Permita-me apresentar-me: sou Gregório Ferreira, cujo nascimento não interessa aos senhores. Sou formado em filosofia, mas já nasci filósofo e questionador, e não creio em nada que eu mesmo possa teorizar.

Não sou escritor, portanto. Apenas um filósofo descrente de seu próprio aprendizado. Como recebi este fardo de supetão, confesso que não sei o que lhes dizer.

Pensei em boas anedótas, uma análise da obra de Thiago mas, convenhamos, se entre amigos ele pode ser conhecido, em um nível mais amplo, assim como os outros escritores desse espaço, o conhecimento público é nulo.

Assim, pensei, analisar uma obra desconhecida ao público, dizer do niilismo em algumas fases, se os leitores não possuem o texto analisado como parâmetro, concordando ou não com minhas palavras, seria bobagem.

Também quis refletir sobre minha história com Thiago, evocar um desses clichês entre autores que rememoram sua vida, lamentando-se da ausência de beleza, leitores, quanta bobagem.

Embora seja amigo íntimo de um escritor, não gosto deles. Para mim bom escritor, é escritor morto. Ler seus textos e depois fitar o autor, de cara limpa, é algo que me incomoda até hoje.

Ora profundo nas palavras, ora escuso. Quem conhece um autor pessoalmente perde o brilho de suas palavras, pois, vez ou outra, eles sentem-se no direito de questionar a própria obra, pedindo reflexos aos amigos, exigindo interpretações.

Por isso desiludi-me com a filosofia, ela deixou de me bastar. E confesso que, as vezes, leio as palavras de Thiago Augusto Corrêa pelo sabor da amizade, nada mais. Não que, notavelmente, não veja um certo talento para com as letras.

Mas a medida de seus versos me incomoda muito, um homem inundado demais em amores, na projeção de sua vida medíocre elevada no papel. Autores são deveras inconstantes, não são simples como matemáticos que trabalham com números, sempre vivem rodeado de joguetes, cartas na manga, discursos na ponta da língua para amendrontar os mais sensíveis.

Não há como confiar naquele que sempre traveste uma máscara, é plastico e mutável. Hoje nos dá flores, amanhã escarra em nosso rosto como um bandido. Escritores são patéticos, ao meu ver.

Mas, de certo, meu verbo já é extenso. Como filósofo do século XXI, o século do medo, não fui capaz de dar a luz meus próprios pensamentos, pensar emburrece qualquer um nos dias de hoje.

No mais me despeço dos senhores, desejando um dia razoavelmente agradável, não é sempre que um filósofo pode posar de inteligente sem parecer pedante, não é mesmo?

Obrigado,

Foi um imenso prazer.

Gregório Ferreira.


Gregório Ferreira, de idade desconhecida, diz ser formado em filosofia, mas desde criança já filosofava. Vive no interior do país, e conhece o escritor Thiago Augusto Corrêa há cinco anos.

8 comentários:

Elis disse...

legal

meio que concordo

Ariadne Celinne disse...

Deve ser por isso q eu só leio blogs de pessoas que não conheço pessoalmente...gostei do texto :)

Thiago Augusto Corrêa disse...

Greg, muito obrigado por me cobrir, cara. Ontem estava impossível de escrever algum texto coerente.

Sei lá, as vezes a gente tem tudo, menos vontade de compor alguma coisa.

Obrigado

Leandro Durazzo disse...

quando se conhece o escritot
poeta
não há jeito
a letra não presta

Leandro Durazzo disse...

do meu glossário bem-transado

escritot = escritor egípcio, especializado em hieróglifos, especialmente litúrgico-religiosos

Arthur Malaspina disse...

E não é que é um jogo de espelhos?

Alias: "Para mim bom escritor, é escritor morto." - concordo plenamente!

Vinício dos Santos disse...

da serie: "a nossa sinceridade"

"ão creio em nada que eu mesmo possa teorizar."

ou em arte que a gente mesmo possa fazer - que não é arte, porque a gente não é bom para isso.

Mas quando a gente morrer nossos textos vão poder ser bons. Enquanto nós estivermos vivos vamos ter que ficar elogiando um ao outro mesmo, rs - muito bom, Thiago, muito bom.

Thiago Augusto Corrêa disse...

Alias, Greg, obrigado por me ler mesmo quando é obrigado! ¬¬