sábado, 5 de janeiro de 2008

fragmentos

31 de dezembro

- Cara! Há quanto tempo? Como tão as coisas? Boas? E a faculdade? Legal que tu tenha passado numa pública. Faz tempo mesmo, hein? Curtindo as férias? E, hey!, soube do Fraga?

- Quem?

- O Fraga, cara. Estudou com a gente, lembra? Tocava violão, amigo nosso. Lembra? Soube o que aconteceu com ele?

- Não lembro desse cara, desculpa.

- Como não? O Fraga, pô!

- Sim, sim... considere que eu lembro. O que houve com ele?

- Morreu. Sofreu um acidente de moto. Foi levar a mina em casa, e na volta bateu num carro, ou um carro bateu nele, não sei. Vê que coisa. Tava trampando, feliz, com a motinha dele lá, e morreu.

- É o que precisa, né? Estar vivo. Pra morrer basta estar vivo. Agora eu vou nessa, cara. Bom te ver. Feliz ano-novo.


1 de janeiro

- E como foi na praia, filho? Encontrou muita gente?

- Encontrei, pai. Encontrei até um cara que estudou comigo no colégio, nem lembro o nome dele. Me falou sobre um amigo nosso, que morreu. Um tal de...

...

- De o que?

- Fraga, pai. Porra, era o Fraga! O cara tentou me falar do Fraga, que tinha morrido, e eu não lembrava dele. O Fraga, pai.


31 de dezembro’

- E foi engraçado. Quer dizer, não engraçado que o cara tenha morrido, mas a forma pela qual fiquei sabendo, e sabendo mal. Encontrei com ele de repente em fevereiro, colocando as malas num ônibus, parado ao lado do meu, na rodoviária.

- Ele ia pra mesma viagem que tu?

- Ia, ia. Tanto é que andamos juntos, por lá, durante toda a Bienal. Eu nem comentei com ele o que tinha acontecido, mas juro que fiquei surpreso e muito feliz ao encontrar o Fraga.

- E quem morreu, afinal?

- Não sei. Não encontrei mais com aquele cara, o que me contou. Talvez eu nem o conhecesse, não lembro. Se alguém morreu, mesmo, eu não fiquei sabendo.

- Engraçado... Agora pára e me abraça, Lê. Feliz ano-novo.

- Meia-noite,


1 de janeiro’

... já?

- Já. Feliz ano, querido. Que tudo dê certo pra todos nós.

...

- Hey! Leandro. Cara, que bom te ver. Oi, moça. Feliz ano-novo.

- Feliz ano-novo, meu velho. Como tão as coisas?

- Boas, boas... Diz pra mim, tu soube do Fraga?

- Pronto... morreu de novo!?

- Quê? Tá maluco? O Fraga tá na Venezuela, cara. Ele e um amigo, viajando de carona, mochilão mesmo. Legal, né? Pegou as tralhas dele e saiu por aí. O cara tem coragem de viver, eu acho.

- É, meu amigo. O Fraga definitivamente vive.


8 comentários:

Felinea disse...

tu, a tua pontuação exata, e as tuas palavras instigantes. perfeito! :)

vou-me embora.
agora.

beijo em ti, menino.

aryam disse...

ah esse fraga!!!
gostei,me surpreendi com esse final.boa!rs

bjaoo errante!

Juliana Tomé disse...

Sempre boas palavras, nos lugares exatos.... Como disse, assemelha-se a Rubem Fonseca. Realmente, as palavras em ti limam, sofrem, suam e são exatas. Parabéns!

iris disse...

fiquei um pouco confusa, acho que preciso dormir... hahahaha
muito bom! :)

Arthur Malaspina disse...

Gostei...bom começo de ano hein!?

Daniela disse...

Bad meninao, adorei!!!! Feliz Ano novo pra vc! E tomara q o Fraga aproveite a vida! Alias, pq vc nao faz sua mala e vai pra Venezuela ou vc pode aproveitar Santos mesmo, ne!!!!

bjos

Anônimo disse...

Ei cara!Sou eu, o Fraga. Obrigado pela Homenagem. To aqui no Marahão.

Juliana disse...

rs! Bom!