quinta-feira, 4 de setembro de 2008

a dor morreu. viva a dor!

Eu me acostumara à dor. De tal maneira acostumara que, pela primeira vez nesta vida – porque nas outras só Deus sabe – tinha acordado de um sono profundo sem nem perceber.

Primeiro, sem perceber que dormia. A dor envolvia o corpo de um tanto que do sono pro manto profundo da noite não tinha sequer diferença.

Depois, do sono profundo pra dor novamente. Não foi como acordar com a dor martelando. No entanto, acordei, e só percebi que não mais dormia depois de um bom tempo deitado com a dor ao meu lado – e em cima, e em volta, em tudo.

Foi como sonhar com a dor que eu sentia antes de dormir, e estar sonhando com ela quando enfim me vi acordado de novo. De louco, isso tudo.

E essa dor, amante insaciável, não me deixava virar para o lado e, exausto, dormir outra vez.

Não neguei fogo. Fui ao banheiro e logo de pronto vi, ali, o pote de vaselina. Atrás dele, perto da aspirina, um pote tamanho família de analgésico pra animal. Cavalo. Ou eu, naquela noite. Tomei três de uma só vez.

Fodi com a dor, e dormi em paz.



a verdade é que não foi assim. Seria bom se fosse, mas não foi. Nada tão poético bonitinho. Fiquei com a dor por duas semanas. E ela só foi embora ontem, quando voltei a ser um ser humano decente. Ou quase.

4 comentários:

Juliana disse...

Fodido, mister.

Pois é, Poesia disse...

first:
há sim, magia.

depois:
eu sei bem da tua tentaiva. de voltar, trazer de volta. uma vez aqui e tudo será resolvido.volta, não-volta ou não-não-volta nem volta.

e:
há sim, sentimento.
e dores que seeempre dormem ao lado. como a da saudade e do medo de perder.

...às vezes é difícil dormir em paz.

vem.

=*

Felinea disse...

dia desses me disseram que consciência em paz traz bom sono.

era para rir, por certo!

beijo, leandro. todos eles em poesia.

Arthur Malaspina disse...

Sempre achei que você tinha essas tendências...